quarta-feira, 8 de outubro de 2008

SCRIPT: Gór quer saber onde está sua mãe

CENA 14. MANSÃO. INt. DIA

CONT. DA CENA 19 DO CAP. ANTERIOR. SAMIRA E GÓR FELIZES. AGORA ESTÃO APENAS AS DUAS NA MANSÃO. ELAS EXPLORAM O CENÁRIO COM DESLUMBRAMENTO.

GÓR — Você tem toda razão. Samira. Essa mansão combina muito mais com você do que com a sua irmã boazinha. Essas escadarias, essa suntuosidade, esse glamour, o bosque lá fora, a piscina... Tudo isso tem muito mais a ver com seus longos cabelos negros, do que com os cachinhos dourados da Maria, com aquele look de anjinho do bem...

SAMIRA — (DÁ UMA RISADA) Como pode a minha irmã ser tão insossa, não é Gór? Você já viu uma garota mais sem graça do que a Maria Mayer?

GÓR — A Maria tem cara de pobre! Você não, Samira, tem ares de garota rica, mimada e poderosa. Tem de sobra uma coisa que falta na Maria: glamour!

SAMIRA — Glamour? Adorei isso, Gór. Sempre gostei muito dessa palavra. Glamour! Você acha mesmo que eu tenho glamour?

GÓR — Acho sim. Você combina com a mansão, com o papel de herdeira da Progênese e com os milhões da fortuna que agora vai ser toda sua...

SAMIRA — Quando vivia acorrentada no laboratório da Juli eu sonhava muito com tudo o que via na TV. Sonhava um dia morar numa casa grande, com jardim, piscina. Não houve um dia da minha vida que eu não tenha pensado nisso.

GÓR — Pois é, meu bem, cuidado com o que você sonha, pois seus sonhos podem se tornar realidade.

SAMIRA — Desde que cheguei a São Paulo não tenho parado de pensar nas coisas que eu sonhava quando estava confinada naquela ilha. Tudo agora parece ter se tornado real.

GÓR — É assim que funciona o universo. Este é o segredo... Nossos pensamentos, nossas vontades atraem os caminhos que vamos percorrer...

SAMIRA — Os caminhos das nossas vontades, dos nossos desejos mais profundos... os chamados caminhos do coração!

GÓR — Talvez você tenha pensado tanto nisso, no dia que ia poder viver em São Paulo, que você atraiu isso, até que seu sonho se realizasse.

SAMIRA — Sim, mas não basta pensar e desejar... É preciso agir... Eu, por exemplo, tive que me aliar a Júlia, que virou Juli... uma pessoa que me tirou da minha mãe... me criou em cativeiro... me implantou um chip de obediência... e eu resolvi não me revoltar, obedecer, para poder vir pra cá...

GÓR — Entendo perfeitamente o seu sentimento, Samira...

SAMIRA — Mas fico pensando... Como teria sido a minha vida se não fosse a Juli e suas experiências científicas? Qual teria sido o meu destino se não fossem os reptilianos? Teria tido uma vida tão diferente... Teria crescido nesta casa com meu pai e minha mãe! Mesmo tendo que conviver com a minha irmã chatinha, insuportável, sei que teria sido uma vida bem mais feliz. Foi horrível passar a infância e todo o começo da juventude, na Concentração, no laboratório da Júlia...

GÓR — Não foi fácil...

SAMIRA — Pensa só... Teria passado minha infância brincando com meus pais e minha irmã nos jardins lá fora... Teria estudado em ótimos colégios... Teria começado a namorar na minha adolescência... Seria uma outra vida.

GÓR — Você, Samira, pelo menos sabe quem são os seus pais. Pode olhar uma foto deles. Pode sonhar com o passado que poderia ter tido. Pois eu não tenho nada disso. Não tenho a menor idéia de quem são meus pais. Queria saber quem foram eles. Queria saber, pelo menos, quem é a minha mãe. Onde ela está? Será que está viva? O que aconteceu com ela?



Crédito: Tiago Santiago
Matheus Logan

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