CENA 8. RUA. CAMINHÃO.EXT. NOITE
O CAMINHÃO ESTÁ PARADO EM LUGAR ERMO. ZÉ MALANDRO ACABA DE COMER PÃO COM MORTADELA. CLARA CHORA.
MALANDRO — Pensou que ia fugir de mim, né, garota? Mas consegui te pegar. Sou maior, minhas pernas são compridas. Come pão com mortadela, vai.CLARA — (CHORA) Não quero comer. Quero ir pra casa.
MALANDRO — Minha casa é esse caminhão aqui, ó. Não pago aluguel nem IPTU. É por isso que meus amigos começaram a me chamar com esse apelido: Zé Malandro.
CLARA — Não quero ficar aqui. Quero ir ver meu pai, meus irmãos, tia Érica. Minha mãe ia chegar, eu ia conhecer minha mãe, mas aí me seqüestraram.
MALANDRO — Clara, cê tem o poder de curar, cê sabe o que é isso?
CLARA — É meu dom. Nasci com ele. Gosto de curar.
MALANDRO — Seu dom vale uma fortuna. Tem muita gente que tem dinheiro, muito dinheiro, mas não tem saúde. Acertei na sorte grande quando te encontrei, menina... Nós não vamos ficar muito tempo mais neste caminhão, não. Vou ter tanto dinheiro que não vou nem pagar aluguel. Vou ser proprietário, vou comprar uma big casa, baita mansão... com uma piscina enorme... cê vai ver... sempre sonhei ter uma casa com uma piscina enorme... Com o dinheiro que a gente vai cobrar pelas suas curas.
CLARA — Nunca cobrei nada pra curar alguém...
MALANDRO — Porque é burra... e seu pai é burro também... Se eu fosse seu pai, já tava rico, com uma conta cheia de zeros do lado direito... Milionário, entendeu? Quero ficar milionário, e você vai me ajudar.
CLARA — Curo por amor. Não curo por dinheiro. Meu pai sempre me disse que não quer que eu seja explorada. E eu não tenho vontade de usar meu dom pra ganhar dinheiro. Só quero ajudar as pessoas. Faço por amor, entendeu? Não por dinheiro...
MALANDRO — Cala a boca. Já te falaram que tu é muito chata, ô menininha enjoada!? Cala a boca, tá me entendendo? Quem vai ganhar o dinheiro sou eu. Cê vai ter só que curar, tá ligada? E se não me obedecer, cê vai sofrer, menina, tá me escutando?! Vai ter que curar os outros pra eu ficar rico às tuas custas! Menina burra!
NO MEDO DE CLARA,
CORTA PARA
Fontes: Tiago Santiago
Matheus Logan






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